Qualidade de vida no trabalho e gestão estratégica

Programas de qualidade de vida, vão muito além de salários e benefícios é preciso pensar estrategicamente.

Considerando o cenário atual nas organizações, não basta mais apenas pensar em formas criativas de reter talentos, é preciso que se atue estrategicamente e que junto a isso, sejam considerados também fatores intrínsecos das pessoas, sendo fundamental pensar em qualidade de vida, com foco não somente no bem estar físico, mas também no aspecto emocional do trabalhador.

Sabemos que a Qualidade de vida no trabalho (QVT) tem por objetivo, além de promover bem-estar e satisfação, estar voltada para um melhor desempenho das pessoas através do aumento de sua produtividade, tornando assim a organização mais forte e competitiva, logo o interesse em QVT torna-se totalmente válido para empresa e trabalhador.

No entanto ainda existe por parte de alguns gestores, a ideia equivocada sobre Programas de Qualidade de Vida nas organizações.

Muitos acreditam que tais programas encontram-se atrelados a salários e benefícios, sem perceber que o clima organizacional, o ambiente emocional e as relações interpessoais são fundamentais para o bem estar do trabalhador.

Recentemente, li um artigo denominado “Eu queria muito trabalhar na Apple, e agora nem tanto” (http://www.agileway.com.br/2014/02/12/o-sonho-de-trabalhar-na-apple-destruido/) onde o designer gráfico Jordan Price, conta sua trajetória e sonho de trabalhar em uma das empresas mais desejadas do mundo – a Apple.

Entretanto, quando isto se tornou realidade, tudo o que Jordan havia imaginado, foi destruído por causa de um chefe autoritário, que impactou diretamente no bem estar do trabalhador, transformando seu sonho de emprego em um terrível pesadelo.

De fato, não foram os benefícios, muito menos ter em seu currículo a Apple que fizeram com que Jordan Price permanecesse na empresa, neste caso o seu bem estar falou mais alto e ao ser coagido por um chefe, preferiu então desligar-se daquilo que inicialmente era seu maior objetivo.

Analisando o caso, podemos perceber o quão importante é pensar também no bem estar psicológico das pessoas. Ambientes de trabalho totalmente competitivos, chefes autoritários, falta de comunicação e até mesmo integração inadequada, estão diretamente relacionados à qualidade de vida no trabalho.

Portanto, é preciso que se pense estrategicamente no sentido de promover também programas que estejam voltados para o fortalecimento psicológico das pessoas, tais como bom relacionamento entre colegas, a sensação de pertencimento de seu ambiente de trabalho, estar adequado a função que desempenha, além de uma comunicação aberta tanto por parte da empresa, com solicitações claras, quanto por parte do trabalhador que possa se sentir seguro ao manifestar sua opinião.

Sabemos que hoje, uma das maiores causas de afastamento do trabalhador é justamente a depressão e este é um fator psicológico com efeitos devastadores, tanto para a pessoa que fica vulnerável, quanto para a empresa que pode perder por tempo indeterminado um de seus talentos.

Deste modo, pensar estrategicamente em qualidade de vida no trabalho, pode ser um aliado para a redução da insatisfação pessoal ou doenças relacionadas a isso, pois um ambiente amistoso que promova o bem estar também de forma subjetiva torna-se um grande diferencial entre outras empresas concorrentes. Preocupar-se não somente com fatores extrínsecos, mas também fatores intrínsecos é fundamental para que possamos atingir todos os níveis da tão famosa pirâmide de necessidades de Maslow.

Somente com uma gestão obstinada em atingir todos os níveis de satisfação individual, sejam eles mensuráveis ou não, podemos falar em qualidade de vida total e participativa, tornando-se também autossustentável e efetiva.

Data de Publicação: 17/02/2014