As projeções econômicas e a LDO do Paraná

Julio Suzuki

Em abril, a Gazeta do Povo veiculou matéria sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do Paraná relativa a 2016, ressaltando as projeções econômicas e financeiras menos favoráveis nela apresentadas, em comparação aos números prospectivos da lei anterior. No caso específico do Produto Interno Bruto (PIB), foi enfatizada a revisão de 4,5% para 1% do crescimento estadual para 2015, números que foram calculados pelo Ipardes em períodos distintos, em um tom semelhante ao de outra reportagem, publicada em março, que citava a disparidade entre a expansão de 0,8% efetivamente registrada pela economia do Paraná em 2014 e a projeção de 5% realizada cerca de 15 meses antes.

Em adição ao natural grau de erro inerente aos trabalhos prospectivos, ainda maior nas atividades que envolvem variáveis sociais, é preciso esclarecer que a distância entre os resultados hoje observados e os números projetados deriva sobremaneira da piora recente do quadro econômico brasileiro, que, embora esperada, vem surpreendendo em termos de magnitude e velocidade.
Para demonstrar que as inexatidões nos exercícios de previsão não se restringem ao Paraná, as expectativas de mercado levantadas pelo Banco Central indicaram, na mediana dos números captados 15 meses antes da divulgação oficial do resultado, elevação real de 2% do PIB nacional em 2014, com o teto das projeções alcançando 3%, muito acima da taxa definitiva de 0,1%. Já para 2015, em contraste com o crescimento de 2% projetado há um ano, espera-se hoje variação de -1% do PIB brasileiro, na mediana das expectativas, com as estimativas mais pessimistas apontando para -2%.

Na LDO enviada ao Congresso Nacional em abril do ano passado, constava indicação de expansão de 3% da economia do país em 2015, porcentual muito superior ao apresentado na lei entregue ao Legislativo pelo Executivo federal, com menção a um declínio de -0,9% do PIB brasileiro no mesmo período.

Em suma, a rápida deterioração do cenário nacional tornou o exercício prospectivo ainda mais árduo e complexo, o que inclui as estimativas referentes às economias locais.Com certeza, é muito mais difícil realizar projeções econômicas regionais em um contexto de forte oscilação, com seis dos sete estados do eixo Sul-Sudeste exibindo taxas de crescimento do nível de atividade consideravelmente menores em 2014, no confronto com o ano de 2013, de acordo com indicador do Banco Central (o que derruba, dada a abrangência da desaceleração, avaliações que vinculam a queda do desempenho produtivo das unidades da Federação a supostas ingerências locais, sem admitir a influência preponderante da equivocada política econômica federal).

Projeções à parte, a economia paranaense pode reagir, mais uma vez, diante das difíceis condições macroambientais, continuando a registrar taxas de expansão superiores às do país e retomando os elevados patamares de crescimento observados até 2013, em linha com os anseios da população e o objetivo governamental de fortalecer as ações públicas, que são orientadas por instrumentos como a LDO.

Julio Suzuki é diretor-presidente do Ipardes.

Data de Publicação: 07/05/2015