Na última terça-feira, 14, filiados a Rodocrédito e convidados puderam acompanhar a Assembleia Geral da cooperativa de crédito, na sede social da Saamar, em Marmeleiro. Na ocasião, o palestrante Moacir Krambeck, presidente da Cecred (parceira da Rodocrédito), falou sobre o cooperativismo e as histórias de sucesso do sistema no mundo. Ele também comentou sobre o crescimento no Brasil e as perspectivas para o futuro das cooperativas, principalmente as de crédito.
“O cooperativismo é muito antigo no Brasil e no mundo. As primeiras foram constituídas no país em 1889 em Minas Gerais e Santa Catarina”, contou o palestrante. Ele procurou falar sobre esse assunto para ressaltar a importância do sistema. “Isso não é uma coisa que inventamos agora, é um sistema que tem história e é muito difundido no hemisfério norte”, disse. Segundo Moacir, a palestra também enfatizou a educação. “O ´eu´ tem de dar lugar ao ´nós´, por isso eu mostrei como a educação é importante para o cooperativismo”, completa.
Ele também citou exemplos de sucesso nos países da Europa e estimou que, em alguns anos, as cooperativas de crédito vão estar moldando as taxações de mercado. “Conversei com um alemão e perguntei para ele, sabendo que lá os bancos e as cooperativas de crédito cobram as mesmas taxas, o motivo dele continuar como cooperado. Ele me deu duas respostas: a primeira, pois na cooperativa ele é dono e o segundo é que ela estabelece o preço do mercado”, completou.
Moacir falou que o objetivo das cooperativas é fazer com que as pessoas participem, se unam e resolvam os problemas. “Somos a fonte e a solução do problema, mas sozinhos nós não resolvemos eles”, diz.
Atualmente, o Brasil tem mais de 10 milhões de cooperados, número considerado baixo. “São 190 milhões de brasileiros, sendo que 100 milhões são economicamente ativos e somente 10 milhões de cooperados. Para regular o mercado, temos que ter 40% do mercado, mas não é uma batalha simples”, compara o presidente da Cecred.
Segundo ele, até 1988, muitas cooperativas quebraram, pois somente naquele ano a constituição passou a reconhecer o cooperativismo. “Até então ela era controlada pelo Ministério da Agricultura, mas a partir da regulamentação, a história muda de figura, quando o Banco Central assumiu as cooperativas de crédito”, explica.
No Sudoeste
Para Moacir, a região absorveu bem o cooperativismo. “Nossos ancestrais trouxeram para cá, depois de conhecer o sistema no Rio Grande do Sul. Nas regiões urbanas, o cooperativismo tem mais dificuldade para difundir, mas também estão ganhando espaço”, diz.
Rodocrédito
Com pouco mais de dois anos de funcionamento, a Rodocrédito está com um crescimento muito maior do que o previsto. “O que tínhamos programado para atingir no terceiro ano, conseguimos no primeiro ano, por isso, já estamos buscando a ampliação inclusive da nossa sede física em Beltrão”, diz Albio Stüpp, conselheiro da cooperativa. A Rodocrédito foi pensada para o setor de transportes, buscando desenvolver o setor. “Queremos chegar a um ponto onde o nosso setor seja auto-suficiente.”
A cooperativa de crédito é filiada à Cecred e está chegando a quase 700 cooperados. “Hoje, a cooperativa faz o que o banco faz e não é um banco”, compara. “Nosso objetivo, que a gente sempre coloca, é desenvolver o nosso setor e nossa sociedade. Nós captados o dinheiro aqui e aplicamos aqui, enquanto o banco não tem comprometimento com a região”, comenta Albio.
Ele completa dizendo que o a cooperativa não busca gerar sobras. “Se gerarmos muita sobra, estamos cobrando demais do nosso cooperado. Trabalhamos com a margem de risco para operar com segurança e, no final do ano, distribuímos as sobras”, diz.
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A Cacispar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Sudoeste do Paraná)
